quinta-feira, 3 de março de 2011

O fim do romantismo

Na última vez que fui para a balada aconteceu algo que já aconteceu muitas outras vezes com muitas outras pessoas. Durante à noite, depois de alguns drinks, eu passava pela pista de dança e vi uma garota que já conhecia de vista. Fui lá e começamos a dançar sem dizer uma só palavra. Conforme as músicas passavam, a dança ficou mais quente até que rolou um beijo, e depois outro, e mais outro. Enfim falamos algo como: “vamos sair da pista e tomar algo no bar?”. E só depois é que começamos a realmente conversar, saber os nomes um do outro, etc. Até então eu estava curtindo a noite com uma pessoa completamente estranha.

Ficamos juntos à noite toda, conversando, beijando, e ao final da balada trocamos telefones e fomos embora, combinando de se ver na noite seguinte pois um amigo em comum iria tocar em um outro bar. E foi o que aconteceu. E ao final dessa segunda noite, eu a trouxe pra casa e ela dormiu comigo. Muita gente vai dizer: ué, até agora tudo normal. Bem, não foi assim. Não quando chegou a manhã desse segundo dia, chegou o domingo. Nada contra o domingo, poderia ser qualquer dia. E se eu tivesse bebido muito poderia ter dito que foi culpa da ressaca, mas nem de ressaca eu estava.

O que realmente aconteceu é que toda a magia e encanto que eu sentia pela garota desapareceu. Não só isso, eu cheguei a ficar incomodado com ela por perto. Como se eu estivesse sendo obrigado a estar alí e a gostar de alguém que eu mal conheço. E aí veio o motivo desse post. Me chame de antiquado, ou o que for, mas quando as coisas vão rápido dessa maneira, não funciona pra mim. Em menos de 48h (às vezes em menos de 12h) a garota está aqui, dormindo seminua ao meu lado? Como assim?

Dia desses uma colega falou assim: “se eu não fosse casada, eu daria muito em cima de você”. E eu respondi brincando: “Mas assim já? Nem vai me pagar um jantar antes?”. Parece que as pessoas mudaram, não ligam mais para como chegar lá. Desde que cheguem. Pra muitos dos meus amigos só o que conta é se eles pegaram ou não alguém na noite passada. Não importa quem é, se é uma garota bacana, qual o nome dela. E eu admito que já me comportei assim, muitas vezes por uma influência social mais do que uma vontade própria. Não tenho orgulho disso, pode ter certeza. Esse mundo moderno que prega pessoas desprendidas, casais com relacionamento aberto, mulheres independentes e que vivem “muito bem” sozinhas... não é pra mim. Eu vivo cercado de gente assim, frequento e gosto mais da noite alternativa do que da noite tradicional, mas eu não tenho isso no meu sangue.

Eu gosto de fazer as coisas do jeito certo. Conhecer, conversar, sentir aquele frio na barriga ao tocar na mão dela e sentir que ela segura de volta. Caramba, muitas vezes me pergunto porque é tão difícil se apaixonar hoje em dia. E em parte a culpa é do “hoje em dia”. O que mudou de antigamente para hoje foi exatamente a maneira como nós lidamos com relacionamentos. Fico pensando como era nos anos 50, em que um rapaz mal podia conversar direito com uma dama, quanto mais beijá-la logo na primeira vez que a vê.

Quando digo que o romantismo sumiu é porque eu vejo que não existe mais garotos e meninas como eu. Alguém que curte saborear cada momento da relação. Um cara que faz questão de ligar ao invés de mandar um sms, que convida para jantar ao invés de ir tomar uma cerveja, que abre a porta do carro, que escreve uma carta de amor, que prepara uma noite espetacular para a garota. Sim, porque não se deixa de ser cavalheiro só porque se está namorando ou casado. As pessoas se acomodaram com o conforto, com a facilidade. Pra que todo esse esforço pra ficar com alguém, não é mesmo? E isso me entristece. Meu sonho de conhecer uma garota no supermercado - como aquela cena do filme Ele Não Está Tão a Fim de Você com a Scarlett Johanson - fica cada vez mais distante. Acho que hoje se eu puxar assunto com alguma garota em algum lugar improvável, grandes são as chances de levar um olhar torto do tipo “que cara esquisito, sai daqui”. Isso faz sucesso nos filmes, mas na vida real ninguém está aberto a isso. Continuam enchendo as noites atrás de satisfação rápida regadas a entorpecentes, para ter um domingo de tédio e sentindo-se miseráveis.

3 comentários:

  1. Oi, Tiago!!
    Fiquei de comentar nos eu blog, explicar por que achei machista.
    Posso encontrar em cada parágrafo observações machistas.

    Esse texto, por exemplo, é muito contraditório. Você conta a história da menina, diz que acou ruim acordar com ela ao seu lado... como se ela tivesse ido sozinha parar na sua cama. Se você prefere conhecer a pessoa antes de deitar-se com ela, por que não fez isso? Porque você, sendo homem, tem desejos incontroláveis, e a obrigação de comer as mulheres em todas as oportunidades que tiver? E isso não é machista? E as mulheres, não sentem desejo?

    "Esse mundo moderno que prega pessoas desprendidas, casais com relacionamento aberto, mulheres independentes e que vivem “muito bem” sozinhas... não é pra mim."
    Você tem que admitir que é machista esperar que as mulheres não sejam independentes e não vivam bem sozinhas. É coisa do século passado, sabe, ou retrasado... quer que as mulheres sejam dependentes? Do que, dos homens, do marido?
    Só os homens podem saber cuidar de si??

    E no texto anterior, você diz que se a mulher transar num primeiro encontro, perde as chances com você, porque "Depois desse ponto, a menina precisa ser bem interessante pra eu querer vê-la novamente". Como se fosse muito difícil que a mulher com quem você seja seja interessante. Se ela não é interessante, por que você sai com ela?
    E quando diz que ao conhecer uma mulher, você logo avalia se a comeria ou não, dá uma nota para seu corpo... como se ela fosse um objeto, um pedaço de carne, como se o intelecto dela não importasse.

    Acho meio triste que você ache normal dizer essas coisas, que você não pense que são machistas.
    Acho mais triste ainda que mulheres leiam isso e achem natural, que aceitem todas essas condições machistas a que são impostas, para "se por no sue lugar" e agradar os homens.

    :(

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  2. Oi Bia, obrigado pelo comentário! Segue algumas respostas... algumas outras serão temas de um próximo post. :)


    >> Se você prefere conhecer a pessoa antes de deitar-se com ela, por que não fez isso?

    R.: Porque eu me deixei levar pela vontade e pelo desejo do momento, não agi conscientemente. Mas foi perceber isso que me fez escrever esse post, esse blog. Estou aprendendo também, não sou o dono da verdade.


    >> Porque você, sendo homem, tem desejos incontroláveis, e a obrigação de comer as mulheres em todas as oportunidades que tiver? E isso não é machista?

    R.: O desejo é natural, está na essência do ser masculino. O que podemos fazer é escolher ceder a ele ou não. Não acho.


    >> E as mulheres, não sentem desejo?

    R.: Claro que sentem. Mas meu blog é sobre o meu ponto de vista (masculino). Que tal você escrever sobre os desejos femininos? :)

    O tema "machismo" vai sair num post.


    >> Se ela não é interessante, por que você sai com ela?

    R.: Esse é um caso hipotético. Eu não saio com alguém que não acho interessante. Mas se por acaso rolasse algo com alguém que eu não conheço direito, talvez pelo calor do momento, aí sim cairia nesse cenário. Eu acho que é papel da mulher fazer o jogo da sedução. A mulher é o ser belo, brilhante, atraente. Se ela não usar isso a seu favor e ceder logo de cara, não dá tempo de fisgar o homem.


    >> ...como se ela fosse um objeto, um pedaço de carne, como se o intelecto dela não importasse.

    O intelecto importa sim, quantas vezes já não conheci meninas lindas mas que era insuportável conversar com elas? Agora o que eu quis dizer é que da natureza do homem 'avaliar' uma mulher fisicamente quando a vê. Principalmente se ela for bonita. Isso não tem nenhum significado além disso. É por isso que a imagem da mulher bonita é tão explorada no mundo. A questão do machismo está em como lidar com esse sentimento. Mas que ele existe, existe.

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    Tks pelos comentários! É sempre bom ouvir feedback, essa discussão só engrandece quem participa e quem a acompanha. :)

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  3. "mulheres independentes e que vivem “muito bem” sozinhas... não é pra mim" NEM PRA MIM _o/

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